Técnicas Narrativas: Estrutura em 3 Atos

Uma das estruturas mais simples de uma narrativa é a estrutura em 3 atos. Neste post vamos ver como podemos usar esta estrutura para criar aventuras coerentes e interessantes para narrar e também como podemos usar esta estrutura como ponto de partida na criação de uma aventura.

Nesta estrutura a história é dividida nestes 3 atos: começo, conflito e resolução. Entre cada etapa existe um ponto divisório claro. Vamos ver como funciona:


1- COMEÇO: aqui é onde você introduz os jogadores ao cenário ou situação que você está criando assim como as possíveis fontes de conflito. Naturalmente a tendência dos personagens é resistir à qualquer mudança e por isto a tensão começa a se elevar. O quanto você se demora neste estágio depende do tamanho e do objetivo da aventura. Em uma aventura one shot ou voltada para eventos você não deve se demorar aqui, mas no caso de uma campanha mais longa pode ser interessante se prolongar nesta fase. No RPG esta parte já começa semi pronta, pois foi construída em partes durante a criação dos PJs.

2- PONTO DIVISÓRIO 1: é quando um evento ocorre que muda a direção da história de forma que força os PJs a agirem. Bons pontos divisórios não deixam espaço para que os jogadores fiquem em dúvida do que fazer. Deve ficar claro que a vida deles foi mudada de tal modo que nunca mais será a mesma. A família deles pode ser morta, a princesa sequestrada, a vila destruída, os PJs feitos de escravos, etc.

3- CONFLITO: esta deve ser a maior etapa da história. Aqui os PJs vão enfrentar todo tipo de desafios para resolver o conflito gerado no ponto divisório 1, mas também vão adquirir o conhecimento, experiência e equipamentos necessários para resolver a situação definitivamente. Eles podem ter que viajar até uma ilha distante para consultar com uma bruxa (conhecimento) que irá dizer a eles para encontrar uma arma mágica (equipamento) e depois aprender a usá-la (experiência) para vencer o desafio. E tudo isto enfrentando as adversidades naturais do caminho e também os agentes do desafio final.

Alguns segredos para construir uma boa fase de conflito:

- Os desafios devem seguir progredindo em dificuldade elevando a tensão em direção ao clímax da história.
- A cada desafio vencido deve existir uma vitória temporária, mas a história deve seguir em direção ao clímax.
- Não apenas desafios e obstáculos devem ser colocados para os PJs resolverem, mas também reviravoltas na trama, surpresas desagradáveis, contratempos, etc. Quanto maior o perigo mais heroicas serão as ações dos PJs.
- Procure avançar os conflitos externos tanto quanto os internos. Mexa com as dúvidas, medos e esperanças dos personagens.
- Mantenha presente os elementos do desafio final. Faça com que os jogadores se lembrem do porque estão lutando e do perigo que ele representa. Se sua vila foi destruída faça eles encontrarem outras vilas arrasadas, vidas destruídas, etc.

4- PONTO DIVISÓRIO 2: este é o clímax da história, a batalha final. Ele funciona melhor se for utilizada uma reviravolta para surpreender os jogadores. Os PJs podem parecer derrotados e tudo perdido quando uma nova situação se revela. Ou o verdadeiro vilão é revelado não sendo quem os jogadores pensavam ser, ou a situação muda e as coisas não são o que parecem. Para que o clímax funcione ele deve ser construído no momento máximo de tensão onde o perigo é o maior possível e as consequências as mais terríveis. Neste momento o grupo vai usar tudo o que aprendeu e os equipamentos que reuniu para vencer o desafio final e cumprir seu destino. As reviravoltas que podem ser usadas aqui são muitas e serão tema da terceira parte deste artigo.

5- RESOLUÇÃO: nesta fase o clímax é resolvido e a tensão se dissipa. Aqui também as pontas soltas são amarradas, mas não necessariamente todas. Algumas podem servir de gancho para a próxima aventura. Será explicado por exemplo como um NPC chegou tão rápido no local, ou como ele descobriu o que os PJs estavam fazendo, etc.À medida que a história caminha para o final vemos como os PJs evoluíram física, intelectual e moralmente ao superarem o desafio.

Vejam no gráfico como se estrutura a história:


Apesar desta estrutura ser clássica, muitas das melhores história começam exatamente no ponto divisório 1 e os elementos do começo são explicados na forma de flashbacks ou outros artifícios. Esta técnica se chama IN MEDIA RES e também será tema de um futuro post.

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