Conto para Lowenherz 1


 TOBIAS HUXLEY - PARTE 1

No alto da colina olhando aquela quantidade de corpos abaixo ele se pegou pensando se aquilo tudo tinha algum propósito divino. O céu estava cinzento e logo iria chover. Os carniceiros chegaram rápido desta vez. Bem antes dos abutres aparecerem eles já estavam vasculhando Os corpos atrás de moedas, dentes, adagas e outras porcarias. Se não fosse dar trabalho ele desceria lá e passaria essa raça inferior na espada. Mesmo assim sacou uma flecha, fez mira com seu olho bom e disparou. 80 metros abaixo um catador caiu de bruços e os outros saíram correndo. Um esboço de sorriso apareceu em sua face. Mesmo com apenas um olho ele ainda atirava bem.

Chega de brincadeiras. Ele tinha coisas mais importantes à fazer. Montou no cavalo e rumou para Ravendorf. Tinha um bom caminho pela frente e não tinha intenção de se molhar.

*****

Tobias Huxley chegou em Ravendorf já anoitecendo. Foi direto para a estrebaria, desmontou, deu três pardais para o menino e entrou na taverna. A chuva estava começando. O taverneiro, um gordo seboso com jeito que não tomava banho há alguns meses, levantou as sobrancelhas como se perguntasse o que ia ser e Tobias jogou uma águia no balcão.
"Um quarto, pão e cerveja"
Sentou-se próximo à lareira do salão observando o bando de caipiras inúteis cochichando nas outras mesas. Não tinha jeito, estava preso nessa pocilga até a manhã seguinte. Tinha que esperar o mensageiro.

*****

Já passava da meia noite. Tobias estava sentado no quarto escuro escutando a chuva caindo. Pela janela podia ver o beco ao lado da taverna. Levantou-se. Viu a rua deserta e a estrebaria. Seu cavalo estava lá assim como o menino, deitado no monte de feno. O mensageiro estava atrasado e ele estava ficando impaciente.

Mais uma hora se passou e nada do seu contato. Agora ele estava preocupado de verdade. Saiu para a rua pela porta lateral do prédio, de frente para a estrebaria. O menino não estava mais lá e estava silencioso demais. Sentiu um cheiro familiar, mas de imediato não soube dizer o que era. Decidiu então verificar seu cavalo.

Ao entrar na cocheira percebeu o que era o cheiro que aqui era mais forte: sangue quente. Soltou uma maldição baixinho e instintivamente sacou a espada. Seu cavalo estava morto e alguém ia pagar muito caro por isso.
 
*****

As ruas continuavam silenciosas quando ele chegou na pequena praça central, até mesmo para uma cidade miserável como esta. Logo viu um corpo caído ao longe. Correu temendo o pior. A chuva havia lavado o sangue e as entranhas estavam todas espalhadas pelo chão, mas ele reconheceu imediatamente o mensageiro. Seu sangue gelou. Ele apalpou o corpo desesperadamente  à procura do pacote e a distração quase lhe custou a vida.

Mal teve tempo de ver o vulto negro que se aproximava por trás, Tobias se jogou de lado fazendo um arco horizontal com a espada enquanto rolava no calçamento. Quando a lâmina acertou o vulto foi como se ele tivesse golpeado contra uma parede de pedras. Seu braço chegou a adormecer com a violência do impacto. Virou-se rapidamente procurando o inimigo que encontrava-se à uma distância impossível. Como se deslocara tão longe e em completo silêncio?

Aquilo estava lá, completamente imóvel no escuro, parecia que nem respirava, envolto em mantos negros. A criatura segurava o pacote. Tobias tentou sacar o arco, mas a coisa saltou e num piscar de olhos estava no telhado de uma casa próxima e desapareceu. Tobias coçou a testa irritado e saiu em disparada pensando em como ele parecia atrair este tipo de situação. Parece que a noite ia ser longa.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Sistemas de RPG parte 1: Dados

Sistemas de RPG parte 3 - Evolução dos personagens

Sala de jogos pronta e Mesa de jogos